quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Top ten 2015 - André Venâncio

O ano foi extremamente concorrido em termos de boas leituras, de modo que muitas excelentes obras não puderam ser incluídas aqui. Mas, após longa deliberação, cheguei à lista abaixo. Mas não devo publicá-la sem os esclarecimentos de sempre: que os livros estão na ordem em que os li, e não de importância ou qualquer outra coisa; que sua presença na lista não significa que eu aprove integralmente seu conteúdo; que as datas se referem à edição que li, e não necessariamente às datas de publicação original. Acrescentei também breves notas de gratidão às pessoas que me levaram a algumas dessas obras. E agora vamos ao que interessa.

1. The Complete Stories [Contos completos], de Flannery O'Connor (Nova York: Farrar, Strauss and Giroux, 1984).

2. The First Step in Mission Training: How Our Neighbors Are Fighting with God's General Revelation [O primeiro passo no treinamento missionário: como nosso próximo está lutando com a revelação geral de Deus], de Thomas K. Johnson (Bonn: Verlag für Kultur und Wissenschaft, 2014). Presente do amigo pr. Franklin Ferreira.

3. Main Currents of Marxism [Correntes principais do marxismo], de Leszek Kolakowski (Nova York: W. W. Norton, 2005). Em três volumes: The Founders [Os fundadores], The Golden Age [A época de ouro] e The Breakdown [O colapso]; na verdade, só o último volume foi lido em 2015.

4. Introdução à filosofia da natureza, de Hans-Dieter Mutschler (São Paulo: Loyola, 2008). Recomendação do amigo André Tavares.

5. Infiel: a história de uma mulher que desafiou o islã, de Ayaan Hirsi Ali (São Paulo: Companhia das Letras, 2007).

6. Idols for Destruction: the Conflict of Christian Faith and American Culture [Ídolos para destruição: o conflito entre a fé cristã e a cultura americana], de Herbert Schlossberg (Wheaton: Crossway, 1990). Recomendação da Norma.

7. Personal Knowledge: Towards a Post-Critical Philosophy [Conhecimento pessoal: em direção a uma filosofia pós-crítica], de Michael Polanyi (Londres e Nova York: Routledge, 1962). Recomendação do amigo pr. Davi Charles Gomes; presente da Norma.

8. Relational Masks: Removing the Barriers that Keep Us Apart [Máscaras relacionais: removendo as barreiras que nos mantêm afastados], de Russell Willingham (Downers Grove: InterVarsity Press, 2004). Recomendação da Norma.

9. O homem que confundiu sua mulher com um chapéu, de Oliver Sacks (Rio de Janeiro: Imago, 1988).

10. Mente cativa, de Czeslaw Milosz (São Paulo: Novo Século, 2010). Recomendação da Norma.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Top Ten 2014 - Norma Braga

Sem dúvida, este foi o ano PP: Powlison e Poythress, ambos leituras para a pós-graduação em teologia do Jumper (obrigada, Davi e Wadislau!). Powlison é uma descoberta que trago comigo desde 2012, utilíssimo para quem deseja pensar a antropologia e a psicologia através de lentes bíblicas. Poythress tem me ensinado a manejar a ferramenta do triperspectivalismo - se Deus quiser, continuo o aprendizado no novo ano que se inicia.

Costumo indicar o livro de Vaucham para quem deseja orientações básicas na questão das diferenças sexuais. Um livro bíblico e gostoso de ler, bastante pessoal, que ultrapassa o tema "criação de meninas". Welch nos ajuda a perceber toda idolatria como um vício. Allender e Longman me mostraram o quanto é importante prestar atenção nos afetos e emoções como indicativos de ídolos (e a tabela que trazem é para a vida toda). O livro de Affonso é um Desconstruir Duchamp “turbinado”, mais acadêmico e reflexivo. Scruton sobre arte é sempre imperdível. A escritora belga Amélie Nothomb se tornou uma das minhas autoras favoritas na literatura francesa contemporânea; este é o terceiro romance que leio dela, mas o melhor continua sendo o primeiro, Higiène de l’assassin (tem em português).

Boas leituras a todos em 2015!

1. Uma nova visão: o aconselhamento e a condição humana através das lentes da Escritura, David Powlison

2. Falando a verdade em amor: aconselhamento em comunidade, David Powlison

3. Symphonic theology: the validity of multiple perspectives in theology, Vern Poythress

4. O que ele deve ser... se quiser casar com minha filha, Voddie Baucham Jr.

5. Vícios: um banquete no túmulo - encontrando esperança no poder do Evangelho, Edward T. Welch

6. In the beginning was the Word: language - a God-centered approach, Vern Poythress

7. The cry of the soul: how our emotions reveal our deepest questions about God, Dan B. Allender e Tremper Longman III

8. O enigma vazio: impasses da arte e da crítica, Affonso Romano de Sant'Anna

9. Beauty: a very short introduction, Roger Scruton

10. Ni d'Ève ni d'Adam, Amélie Nothomb

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Top ten 2014 - André Venâncio

Enfim chegou o momento de compartilhar minhas melhores leituras do ano que se encerra, e de demonstrar a devida gratidão às pessoas queridas que, de um modo ou de outro, me levaram a algumas delas. Preparar a lista abaixo não foi fácil, pois este foi um ano de muitas leituras boas. Ainda que lamentando a exclusão de alguns bons candidatos, estou satisfeito com o resultado final.

Três breves avisos podem ser úteis. Primeiro: os livros estão listados abaixo na ordem em que os li. Segundo: não custa enfatizar que o fato de um livro ser um dos melhores do ano de modo algum me obriga a aprovar tudo o que ele diz ou transmite. E terceiro: amanhã minha querida esposa Norma publicará a lista dela, mas adianto com satisfação que, embora tenham sido elaboradas de modo independente, desta vez nossas listas tem três títulos em comum. Voltem ao blog amanhã para descobrir quais são.

1. Cristo e cultura: uma releitura, de D. A. Carson;

2. The good of affluence: seeking God in a culture of wealth [O bem da afluência: buscando Deus em uma cultura de prosperidade], de John R. Schneider (presente de Alex Catharino e Márcia Xavier de Brito à Norma, muito antes que eu existisse para ela);

3. The cry of the soul: how our emotions reveal our deepest questions about God [O clamor da alma: como nossas emoções revelam nossas questões mais profundas sobre Deus], de Dan B. Allender e Tremper Longman III (recomendação do pr. Wadislau Gomes);

4. A lógica da vida: uma história da hereditariedade, de François Jacob (presente do pr. Eliandro Cordeiro);

5. As ideias conservadoras explicadas a revolucionários e reacionários, de João Pereira Coutinho (presente da Norma);

6. Symphonic theology: the validity of multiple perspectives in theology [Teologia sinfônica: a validade de perspectivas múltiplas em teologia], de Vern Poythress (outra recomendação do pr. Wadislau Gomes, disponível no site do autor nos formatos html e ePub);

7. O enigma vazio: impasses da arte e da crítica, de Affonso Romano de Sant'Anna;

8. Há um significado neste texto? interpretação bíblica: os enfoques contemporâneos, de Kevin J. Vanhoozer (recomendação do pr. Franklin Ferreira);

9. Fundamentalism: when religion becomes dangerous [Fundamentalismo: quando a religião se torna perigosa], de Thomas Schirrmacher (presente do pr. Franklin Ferreira);

10. Jamais fomos modernos: ensaio de antropologia simétrica, de Bruno Latour (presente de Léo e Célia Braga, meus sogros).

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

A soberania banida - releitura

Seguem duas postagens (uma e duas) baseadas em uma releitura que realizei há alguns meses, do livro A soberania banida: redenção para a cultura pós-moderna, de R. K. McGregor Wright.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Em guarda

Acabo de publicar no outro blog uma resenha minha do livro Em guarda: defenda a fé cristã com razão e precisão, de William Lane Craig, que saiu na Fides Reformata em 2012.

domingo, 6 de abril de 2014

3001: a odisseia final

Publiquei no outro blog uma série de quatro postagens contendo uma análise teorreferente da quarta obra da célebre tetralogia de Arthur Clarke. Fiz esse trabalho como avaliação para o curso Cosmovisão Reformada, que fiz como aluno ouvinte do Andrew Jumper em 2012. Partes um, dois, três e quatro.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Top ten 2013 - Norma Braga

As duas maiores descobertas do ano foram Herman Dooyeweerd e Jay Adams. Sabe aqueles autores que você sente que se tornarão "amigos" - ou seja, leituras constantes durante toda a vida? Esse é o caso. (Gostaria de dizer o mesmo de Schlossberg, mas ele não é um autor prolífico. Escreva mais, Schlossberg!) Van Til, descoberto em 2012, entra também nesta lista de autores amigos.

Cornelius Van Til, A Survey of Christian Epistemology - Uma das citações mais belas de Van Til neste livro é: “O conhecimento do homem é uma reinterpretação da interpretação de Deus." Em cada um de seus livros, aprofunda-se a verdade enunciada por Calvino (Institutas - Livro I) de que o conhecimento de Deus (positivo ou negativo) é a base para toda cosmovisão. Estimulo você a buscar o porquê em sua obra.

Herman Dooyeweerd, Roots of Western Culture - Um dos livros de minha vida. Aprofunda a questão do motivo bíblico Criação, Queda e Redenção, abordando filosoficamente a ênfase que Van Til explora na teologia. Respondeu a muitos questionamentos antigos meus. Além disso, é uma bomba eficientíssima contra o racionalismo moderno.

Aldous Huxley, Admirável mundo novo - Romance instigante, do tipo que se lê de uma sentada. Fundamental para quem quer refletir sobre as várias formas de totalitarismo.

Czeslaw Milosz, Mente cativa - Quando um poeta escreve sobre o totalitarismo comunista que viveu em seu país, a Polônia, o que acontece? História a partir de uma visão nem um pouco árida. Bela obra, sempre a ser revisitada.

Jess Walter, A vida financeira dos poetas - Nós, cristãos, estamos marcando touca: o autor nem é crente, mas trata o tema como se deve. Romance engraçado que me emocionou no final. Mais não digo, porque estraga. Atenção: não recomendo para olhos sensíveis a palavrões.

Scott Fitzgerald, O grande Gatsby - Na verdade, nem assisti ao filme (que recebeu muitas críticas negativas), mas aproveitei o acesso fácil ao romance devido à popularidade. Não me arrependi. Um clássico que me tocou muito, estimulando minhas reflexões sobre idolatria.

Herbert Schlossberg, Idols for Destruction - Falei bastante dele no meu blog este ano. Imperdível para quem quer compreender as idolatrias contemporâneas.

Os Guinness, Dust of Death - Se você já percebeu que o irracionalismo da pós-modernidade é a resposta extremada ao racionalismo típico do pensamento ocidental, esse livro (cujo nome é tirado do Salmo 22: "Tu me deitas no pó da morte") vai lhe fornecer muitos subsídios para compreender o processo e elaborar respostas consistentes para nossos dias.

Caroline Weber, Rainha da moda: como Maria Antonieta se vestiu para a Revolução - Obra original que entrelaça um período tão conturbado da história a um assunto aparentemente "fútil", a moda, mostrando como as roupas eram fortes símbolos na França do Antigo Regime. O modo cruento com que a rainha foi condenada à morte lançou luzes sobre o fenômeno do bode expiatório, de que já tratei bastante em meu blog.

Jay Adams, A Theology of Christian Counseling: More than Redemption - Com sua ênfase no aconselhamento bíblico, mas de um modo não restrito a essa tarefa, Adams consegue mostrar muitos reflexos experenciais da teologia em nossa vida, iluminando aquelas áreas sombrias e desatando alguns nós da intrincada tarefa da aplicação. Fundamental para uma época que separa demais teoria e vida.

Digna de nota é a presença de três obras literárias nesta lista, além de uma biografia e uma obra de um poeta. Não só como professora de literatura, mas como escritora, recomendo fortemente que você inclua romances, poemas, biografias e narrativas em geral em suas listas de leitura. As obras teóricas (argumentativas) não suprem todas as nossas necessidades intelectuais e emocionais. Se sua área é a teologia, você vai precisar certamente do "pé no chão" que a boa literatura proporciona. Além disso, pesquise a vida de seus autores teóricos preferidos: dificilmente algum deles terá prescindido da leitura de obras literárias. A falta de cultura literária é um dos grandes flagelos intelectuais de nossa época e só reforça a tendência do cristão que foge do irracionalismo atual refugiando-se no racionalismo de tempos idos. Previna-se.