quinta-feira, 24 de março de 2011

VINACC, ou: a mala que trouxemos da Paraíba

A rigor, o que se segue não se inclui na categoria "tamos lendo", e sim na "pretendemos ler". Abaixo segue a lista de livros e outros produtos que trouxemos da VINACC no começo do mês. Entre obras ganhadas e compradas em suaves prestações, tem muita coisa boa aí embaixo.

1. Os abismos do ser, de José Mário da Silva: o único livro da lista que não aborda diretamente o cristianismo. Contém reflexões envolvendo temas literários. Ganhamos o livro de presente do autor, que fez a gentileza de autografá-lo.

2. Vigiai! Quem são as testemunhas de Jeová?, do CACP (Centro Apologético Cristão de Pesquisas). Uma contestação à teologia das testemunhas de Jeová no formato das revistinhas que elas comumente vendem de porta em porta. Ganhamos essa do Paulo Cristiano, membro do CACP.

3. Cristianismo ao gosto do freguês, de Renato Vargens: pequeno livro sobre algumas péssimas tendências atuais da igreja evangélica brasileira. Autografado pelo autor, de quem ganhamos o livro.

4. Batalha contra a pornografia: em defesa da família e da igreja, de Cláudio Rufino: livro que aborda diversos aspectos do problema da pornografia. Presenteado e autografado pelo autor.

5. As firmes resoluções de Jonathan Edwards, de Steven J. Lawson: sobre a devoção do teólogo e pastor americano do século XVIII. Esse nós ganhamos de presente do Tiago Santos, da Fiel.

6. Ética cristã: opções e questões contemporâneas, de Norman Geisler: excelente obra sobre a ética cristã e seus corolários, abordando também os problemas de outras éticas. Li esse livro há vários anos, mas ele foi reeditado com vários capítulos adicionais, que abordam temas atuais como ecologia, homossexualismo, desobediência civil, divórcio e controle de natalidade. Ganhamos essa edição ampliada do Celso Mastromauro, representante da Vida Nova no evento.

7. Isto não é conto de fadas, de Dall Tolmasoff: os pontos essenciais do ministério de Cristo narrados de forma original, em um livro para crianças. Com belas ilustrações e prefaciado por John Piper.

8. Mangá Messias, de Hidenori Kumai: produção japonesa que traz o relato da vida de Jesus, da concepção à ascensão, em forma de mangá.

9. Mangá Metamorfose, de Kozumi Shinonawa: os Atos dos apóstolos também na versão mangá.

10. Como tudo começou: uma introdução ao criacionismo, de Adauto Lourenço: uma abordagem belamente editada aos temas gerais do criacionismo. Autografado pelo autor.

11. Teologia sistemática: uma análise histórica, bíblica e apologética para o contexto atual, de Franklin Ferreira e Alan Myatt: uma sistematização da teologia bíblica. Com autógrafo do Franklin.

12. A espiral hermenêutica: uma nova abordagem à interpretação bíblica, de Grant R. Osborne: livro que trata dos princípios da hermenêutica bíblica e da aplicação dos sentidos na vida moderna e na pregação. Trata ainda das modernas teorias da linguagem, propondo um esquema abrangente de princípios hermenêuticos.

13. Atlas Vida Nova da Bíblia e da história do cristianismo, organizado por Peter Wyart: muitos mapas, fotos e dados históricos e geográficos referentes à Bíblia e à cristandade.

14. Comentário bíblico Vida Nova, organizado por D. A. Carson: introdução e comentário a todos os livros da Bíblia em um único (e enorme) volume. Contém também algumas outras coisinhas.

15. Curso Vida Nova de teologia básica: filosofia, de Jonas Madureira: uma abordagem para leigos sobre a filosofia e sua interrelação histórica com a teologia cristã.

16. Na dinâmica do Espírito: uma avaliação das práticas e doutrinas, de J. I. Packer: uma promissora análise das principais visões cristãs sobre o Espírito Santo e a santidade dos crentes.

17. J. I. Packer: a biography, de Alister McGrath: obra biográfica sobre um dos grandes teólogos reformados do século XX.

18. Senhores da terra, de Don Richardson: excelente livro que li na adolescência. Nele, o autor conta a história de um companheiro missionário, Stanley Dale, que deu a vida pela evangelização de um povo primitivo da Papua Nova Guiné.

19. Secrets of the Koran: revealing insights into Islam's holy book, de Don Richardson: livro sobre o Alcorão, o islamismo e sua penetração no Ocidente. Autografado pelo autor.

20. A verdade nos libertou: dez ex-freiras contam as suas histórias: uma coleção muito promissora de uma dezena de testemunhos de conversão do catolicismo.

21. Lírios entre espinhos: cristãos chineses contam sua história com sangue e lágrimas, de Danyun: relatos sobre a igreja chinesa e a perseguição por ela sofrida. O autor é um pregador e líder chinês.

22. Filhas do islã: edificando pontes junto à mulher muçulmana, de Miriam Adeney: livro sobre os problemas das mulheres muçulmanas e sobre como lidar com elas.

23. Muito mais que um sonho: o único item não impresso da lista. Trata-se de uma coleção de cinco DVDs contendo histórias e testemunhos de cinco muçulmanos em diferentes países islâmicos que se converteram a Cristo.

sábado, 25 de dezembro de 2010

A encarnação e o nascimento de Cristo

Publiquei em meu outro blog algumas considerações e citações sobre o maravilhoso sermão de Natal proferido por Charles Haddon Spurgeon em 1855, traduzido pelo pessoal do Projeto Spurgeon.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Lewis (1898-1963)

Fiquei sabendo agora há pouco, por intermédio do Allen Porto, que hoje se completam 47 anos da morte de C. S. Lewis, um dos maiores escritores cristãos do século XX. O espaço é curto demais para que eu explique o quanto devo a esse homem. Basta dizer que ele ampliou em grande medida minha compreensão da fé cristã e me ajudou a sair da armadilha da tentação materialista e racionalista que eu ainda enfrentava quando o conheci, em 2003.

Também é verdade que ele me fez algum mal, principalmente em decorrência de sua excessiva simpatia pelo catolicismo, que me contagiou. Embora eu não possa culpá-lo pela extensão que esse problema assumiu em minha trajetória, não posso deixar de atribuir à influência do irlandês a abertura de certas portas que deveriam ter permanecido bem fechadas. Pela graça de Deus, no entanto, o bem que esse autor me fez superou em muito o mal, tanto em intensidade quanto em duração. E, apesar de todos os equívocos de sua teologia, não alimento dúvidas quanto a ser ele um verdadeiro filho de Deus, que um dia verei no paraíso onde ele chegou há 47 anos.

Deixo aqui minha pequena homenagem a esse mestre aplicando-lhe aquela observação de Spurgeon segundo a qual um crente verdadeiro, por pior que seja quando teoriza sobre teologia, é sempre um reformado quando está diante de Deus. O homem que declarou, no final de O grande abismo, que "a doutrina da Predestinação [...] mostra (verazmente) que a realidade eterna não está aguardando um futuro em que venha a ser real, mas ao preço de anular a Liberdade, que é a verdade mais profunda entre as duas", também nos deixou as palavras a seguir sobre sua própria conversão, as quais considero o mais belo trecho de Surpreendido pela alegria:

"O leitor precisa imaginar-me sozinho naquele quarto em Magdalen, noite após noite, sentindo - sempre que minha mente se desviava por um instante que fosse do trabalho - a aproximação firme e implacável dAquele que eu resolutamente desejava não encontrar. Aquilo que eu tanto temera pairava afinal sobre mim. Cedi, enfim, no Trimestre da Trindade de 1929, admiti que Deus era Deus, ajoelhei-me e orei: talvez, naquela noite, o mais deprimido e relutante convertido de toda a Inglaterra. Não percebi então o que se me revela hoje a coisa mais ofuscante e óbvia: a humildade divina, que aceita um convertido mesmo em tais circunstâncias. O Filho Pródigo pelo menos caminhou para casa com as próprias pernas. Mas quem é que pode adorar devidamente esse Amor que abre os portões a um pródigo que é arrastado para dentro esperneando, lutando, ressentido e girando os olhos em torno, à procura de uma chance de fuga? As palavras "compelle intrare", obrigar a entrar, foram tão violentadas por homens impiedosos que chegamos a estremecer ao ouvi-las; mas, entendidas de forma correta, elas sondam a profundidade da misericórida divina. A dureza de Deus é mais bondosa que a suavidade dos homens, e Sua coerção é nossa libertação."

É isso. Lewis conheceu o mesmo Deus que eu, e Deus o usou para me ajudar a conhecê-Lo melhor. A quem honra, honra. E a Deus toda glória.

Adendo: além do ótimo post do Allen linkado no começo, leiam também a excelente palestra de John Piper sobre Lewis (ou ouçam, ou assistam, mas sem deixar de lado as notas de rodapé da versão transcrita, que são muito instrutivas). Quem não puder, leia pelo menos o resumo comentado que a Norma fez dela aqui.

sábado, 28 de agosto de 2010

Fundamentos de engenharia de petróleo

Li esse livro enquanto estudava para o concurso da Petrobras. A obra foi preparada por uma grande equipe de especialistas em petróleo e nas diversas fases do processo de sua extração. Não pretendo, por enquanto, fazer outros posts a respeito, mas isso nem de longe significa que eu não tenha apreciado a leitura. Ao contrário, fiquei impressionado ao constatar a trabalheira que dá identificar um local para cavar um poço. É um trabalho que toma vários anos, e cuja taxa de acerto é de apenas 47%. Muitos conhecimentos de física e geologia entram nessa fase. Além disso, fiquei impressionado também com a tecnologia envolvida na perfuração de poços, nos métodos de extração e em muitos detalhes do processo todo. Descobri ainda que um reservatório típico só permite a extração de cerca de 30% do petróleo nele contido, e que é na ampliação dessa capacidade que muitos especialistas veem um futuro promissor para o ramo. Não posso dizer que entendi o livro todo, mas o contato com todo esse ramo da engenharia e das ciências aplicadas me foi muito agradável. Além do mais, me fez lembrar de um desejo que tenho há quase dez anos: o de, um dia, estudar geologia bem mais profundamente.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

O grande jogo XII

Falei no post anterior dos muitos aspectos positivos do quinto capítulo do livro. No entanto, há também alguns probleminhas não desprezíveis. Magnoli acha que havia no pensamento de Marx um elemento democrático com o qual o comunismo soviético só veio a romper sob Stálin. Repete as calúnias de sempre contra os conservadores americanos (imperialismo, Guantánamo, etc.). Acha que o conteúdo do "documentário" Fahrenheit é conservador. Pensa que o nacionalismo decorrente do antiamericanismo da América Latina é um sintoma da "dissolução ideológica" da esquerda. Sustenta, embora de um modo algo particular, a velha mentira stalinista de que fascismo e comunismo são coisas extremamente diferentes entre si. Acha que o MST não está promovendo nenhuma revolução socialista, e sim o contrário: tem sido usado para facilitar a "modernização acelerada, conservadora e excludente" do agronegócio brasileiro.

Além disso, Magnoli perdeu a oportunidade de tirar a devida lição de certos fatos mencionados por ele mesmo. Por exemplo, que, ao se manifestar contra os crimes da ditadura cubana, Saramago estava com menos pena dos fuzilados que de si próprio. Ou que a mera existência do Fórum Social Mundial demonstra que os melhores amigos da esquerda do Terceiro Mundo (como Chávez e o PT) são as ONGs ligadas à ONU - e, por conseguinte, os bilionários que as financiam. E que isso basta para derrubar o mito de que a esquerda representa os interesses dos pobres contra os dos ricos. Magnoli é um esquerdista excepcionalmente bem dotado intelectualmente, mas ainda é esquerdista demais para entender certas coisas.

domingo, 22 de agosto de 2010

O que vem por aí

Os livros que têm sido comentados por mim neste blog foram lidos há vários meses. Portanto, os comentários estão atrasados. Neste post apenas listarei alguns livros que li recentemente, ou que ainda estou lendo, e que não apareceram ainda neste espaço. Assim os leitores poderão fazer uma previsão do quanto o conteúdo do blog lhes parecerá interessante nos próximos tempos.

1. Levítico: introdução e comentário, do teólogo canadense R. K. Harrison. Ganhei esse livro do meu pai há uns dois anos, mas só agora o estou lendo. A leitura do comentário de Calvino a Hebreus me incentivou a isso.

2. O pensamento econômico e social de Calvino, do teólogo suíço André Biéler: excelente obra que ganhei da Norma no Natal passado.

3. A soberania banida: redenção para a cultura pós-moderna, do teólogo americano R. K. McGregor Wright. Ganhei o livro em janeiro deste ano na promoção do irmão Jorge Fernandes e seus amigos. Trata do tema da soberania divina e da autonomia humana, em diversos níveis.

4. Produção de mudas e manejo fitossanitário dos citros: coletânea que nosso laboratório ganhou de presente de um colaborador. Li-o para enriquecer meus conhecimentos sobre doenças e pragas em citros, assunto diretamente vinculado ao tema de minha dissertação de mestrado.

5. Pedro, Estêvão, Tiago e João: estudos do cristianismo não-paulino, do teólogo escocês F. F. Bruce. Livro que dei de presente ao meu pai em seu último aniversário, e que ele me emprestou depois de ter lido.

6. Para compreender o islã: originalidade e universalidade da religião, do metafísico sufi suíço Frithjof Schuon. Esse livro trata da religião islâmica em comparação com outras tradições, sempre de um ponto de vista perenialista e esotérico (no sentido guénoniano da palavra). Comprei-o num sebo local há dois ou três anos, mas só agora me animei a lê-lo.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

O grande jogo XI

O quinto capítulo, A esquerda que fuzila, é certamente o melhor de toda a primeira parte do livro. Ele critica o totalitarismo da esquerda de inúmeras formas. Denuncia corretamente a farsa da desestalinização empreendida pelo comunismo soviético, apontando a hipocrisia de Kruschev, do Partido e de seus muitos colaboradores no Ocidente, bem como a falsidade dos dois pilares fundamentais da reinterpretação pós-stalinista da história: que a URSS foi responsável pela melhoria das condições de vida no Ocidente e pela salvação da humanidade contra o perigo do nazismo. Identifica aspectos importantes da semelhança ideológica entre o PT e os partidos e líderes comunistas totalitários dos tempos da Guerra Fria, semelhança essa que se manifestou de vários modos, por exemplo, por ocasião da crise do mensalão. Critica a omissão do governo Lula e outros partidos de esquerda brasileiros diante dos crimes políticos da ditadura castrista - o que, aliás, continua acontecendo até hoje. Denuncia a exultação imoral da esquerda acadêmica brasileira por ocasião dos ataques do 11 de setembro e, de modo mais amplo, a simpatia da esquerda mundial pelo terrorismo islâmico. Denuncia também o antiamericanismo que se apossou de maneira generalizada da esquerda no mundo todo, impedindo-a de perceber a força inigualável da democracia americana. Trata com o devido desprezo o trabalho de Michael Moore, o mais mentiroso cabo eleitoral do Partido Democrata. Ataca, de modo geral, as teorias conspiracionistas sobre o 11 de setembro, identificando a razão fundamental de sua plausibilidade aos olhos de muitos: a convicção autenticamente esquerdista de que só amantes da liberdade podem ser verdadeiros inimigos da "pátria do capitalismo". O trecho de que mais gostei no capítulo todo é este aqui:

"Eles eram americanos, foram rebaixados a norte-americanos e hoje não passam de estadunidenses. Os arautos do antiamericanismo querem extirpar a América do nome dos Estados Unidos, reduzindo-os à descrição anódina de seu sistema federal. A privação do nome próprio equivale a uma eliminação simbólica do inimigo e funciona como prelúdio ideológico do extermínio prático, que permanece como ideal."