quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

A soberania banida XI

O livro se encerra com o décimo primeiro capítulo, intitulado A localização da referência suprema e os atributos de Deus: um debate atual. Boa parte do capítulo é dedicada a uma análise dos rumos preocupantes de certos segmentos da teologia moderna, exemplificados na trajetória intelectual de Clark Pinnock, ex-aluno de ninguém menos que F. F. Bruce (eu não sabia dessa). Merece destaque a análise de um debate, publicado no livro Theological crossfire, entre Pinnock e Delwin Brown, um liberal e adepto da teologia do processo que atacou magistralmente a meia ortodoxia que Pinnock sustentava na época (1990) e que, ao que parece contribuiu para a deriva deste em direção a posições cada vez menos bíblicas. O capítulo é muito bom; embora eu discorde de uma de suas afirmações centrais - a de que é contraditório sustentar ao mesmo tempo que Deus é bom porque deseja o bem e que o bem é bom por ser desejado por Deus -, o capítulo é muito bom, e o livro foi muito bem encerrado.

Este ainda não é o último post sobre essa obra de Wright, mas já é tempo de dizer que é um bom livro. Quem leu com atenção esta série de postagens percebeu que, embora eu tenha reservas que considero de não pequena importância, também aprendi dele várias lições valiosas. Encerro este post com mais uma, na qual fica claro o preço que pagamos por entender a mente de Cristo de modo demasiado superficial, seja por desprezar a precisão doutrinária, seja por achar que ela é suficiente por si só em nossa batalha contra o mundo. No parágrafo abaixo, Wright mostra a urgência de buscarmos uma cosmovisão integralmente bíblica.

"Há diversas razões pelas quais essa questão não é enfrentada de modo adequado hoje. A primeira é o antiintelectualismo subjacente de muitos, juntamente com a perda da confiança nas formulações doutrinárias. Os pragmáticos evangélicos modernos portam-se como se pudéssemos nos dar bem sem formulações doutrinárias claras. Segunda, muitos evangélicos não possuem nenhum conhecimento da história do sincretismo perene com o humanismo através dos anos e simplesmente confiam que a teologia conseguirá guardar-se incontaminada do mundo por limitar-se a um punhado de fundamentos-chave. Mas a história mostra algo diferente. Isso não funcionou na igreja primitiva, quando esse fundamento era o Credo Apostólico. Não funcionou na era puritana, quando John Owen discutiu com Richard Baxter a respeito das exigências mínimas para uma igreja estatal razoavelmente abrangente. Não funcionou nos anos 20, quando os fundamentalistas redigiram uma pequena lista de cinco, sete ou dez fundamentos para formar o último muro de defesa contra o modernismo."

No próximo post, encerrarei esta série com duas citações extremamente importantes, que demonstram acima de toda dúvida o valor do capítulo.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Sumário - The fractal geometry of nature

O segundo sumário contém os links para a série de onze postagens que fiz sobre o excelente livro The fractal geometry of nature [A geometria fractal da natureza], do matemático Benoît Mandelbrot, publicada de outubro de 2009 a janeiro de 2010:

1. 14 de outubro de 2009;
2. 24 de outubro de 2009;
3. 28 de novembro de 2009;
4. 4 de dezembro de 2009;
5. 16 de dezembro de 2009;
6. 22 de dezembro de 2009;
7. 28 de dezembro de 2009;
8. 6 de janeiro de 2010;
9. 12 de janeiro de 2010;
10. 19 de janeiro de 2010;
11. 25 de janeiro de 2010.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Levítico III

"Mas o couro do novilho, toda a sua carne, a cabeça, as pernas, as entranhas e o excremento, a saber, o novilho todo, levá-lo-á fora do arraial, a um lugar limpo, onde se lança a cinza, e o queimará sobre a lenha; será queimado onde se lança a cinza." (Levítico 4.11-12)

O trecho acima está inserido na descrição dos procedimentos rituais para a remoção dos pecados do sumo sacerdote. Sobre o significado espiritual do lugar escolhido para a fogueira que consumia o animal sacrificado, Harrison traz interessantes considerações, tanto do ponto de vista mosaico quanto da perspectiva cristã:

"O lugar limpo era situado 'onde se lança a cinza' (em hebraico, shepek haddeshen), sendo que essa frase ocorre somente aqui no Antigo Testamento. Presumivelmente, aqui está sendo aludida a área ao leste do altar do holocausto, onde eram depositados lixo (conforme 1.16), cinzas ensopadas de gordura e detritos semelhantes. O animal não poderia ser queimado no altar, porque o ritual não visava obter expiação para o sumo sacerdote, mas sim remover a contaminação causada por seu comportamento ilícito. Logo, a carcaça era desfeita pelo fogo no local do montão de lixo sacrificial fora do arraial. Esse procedimento foi mencionado em Hebreus 11-13, onde Jesus foi assemelhado aos animais cujo sangue tinha sido trazido ao santuário pelo sumo sacerdote como sacrifício pelo pecado. No Calvário, o Salvador sofreu fora do portão (isto é, fora de Jerusalém) a fim de santificar o povo mediante seu próprio sangue. O cristão é conclamado a 'sair a ele, fora do arraial' (Hebreus 13.13) e oferecer sempre, por meio dele, 'sacrifício de louvor a Deus' (Hebreus 13.15). Para os israelitas, o exterior do arraial era território imundo. Mas, porque Jesus foi rejeitado na cidade santa e crucificado fora de suas veneradas muralhas, os valores antigos tinham sido completamente invertidos. Qualquer lugar onde Jesus seja encontrado agora torna-se sagrado para o cristão, que tem consciência de que o poder transformador de Cristo altera regras, situações e pessoas da mesma maneira. A fé uma vez entregue aos santos (Judas 3) doravante já não é uma questão tribal ou territorial, mas sim cósmica em suas dimensões, a fim de que Cristo seja tudo em todos (Colossenses 3.11)."

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

O racionalismo dos irracionais V

E aqui vai a quinta e última postagem sobre o artigo de Felipe Sabino de Araújo Neto.

domingo, 8 de janeiro de 2012

Sumário - Poemas de amor, poemas de guerra

Inauguro hoje os sumários, que têm como objetivo reunir os links para as séries de postagens que já fiz neste blog. Começando pela tese de doutorado da minha esposa Norma, Poemas de amor, poemas guerra, sobre a qual publiquei nove posts entre setembro de 2009 e janeiro de 2010:

1. 13 de setembro de 2009;
2. 5 de novembro de 2009;
3. 14 de novembro de2009;
4. 20 de novembro de 2009;
5. 19 de dezembro de 2009;
6. 20 de dezembro de 2009;
7. 31 de dezembro de 2009;
8. 9 de janeiro de 2010;
9. 15 de janeiro de 2010.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

A soberania banida X

O décimo capítulo se chama O problema do mal: a fortaleza final da incredulidade?. O que há nele de mais interessante é um comentário algo extenso, embora um pouco confuso, ao livro God and philosophy, escrito por Anthony Flew ainda em seus tempos de ateísmo. Até onde sei, porém, a opinião de Flew sobre o problema do mal não mudou de modo substancial depois de sua "conversão" ao teísmo deísta. De resto, o capítulo é um misto de verdades já conhecidas e erros e limitações oriundos do racionalismo e determinismo do autor. Considero muito mais profunda, completa, rica, satisfatória e recomendável a análise do mesmo tema feita por Peter Kreeft no livro Buscar sentido no sofrimento, do qual apenas umas poucas páginas poderiam ser eliminadas em virtude de seu catolicismo ou de simples erros de argumentação.

sábado, 31 de dezembro de 2011

O racionalismo dos irracionais IV

Aqui vai a quarta parte de meu comentário ao artigo de Felipe Sabino.