segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Top ten 2016 - André Venâncio

Como de costume, os livros escolhidos para o top ten deste ano foram dispostos na ordem em que os li. E, como de costume, o fato de merecerem estar na lista abaixo não me obriga a aprovar integralmente seu conteúdo. Feitos esses esclarecimentos chatos, embora necessários, vamos ao que interessa.

1. A cruz de Cristo, de John Stott (São Paulo: Vida, 2006); recomendado pelo pr. Diogo Jorge. Uma exposição teológica de altíssimo nível sobre a doutrina bíblica da salvação, feita com rigor, clareza, sensibilidade e piedade.

2. A barca de Gleyre, de Monteiro Lobato (São Paulo: Globo, 2010); recomendado pela Norma. Décadas de cartas ao melhor amigo de um de nossos mais importantes escritores. Como poderia não ser bom?

3. Desenvolvimento e cultura: o problema do estetismo no Brasil, de Mario Vieira de Mello (São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1963); recomendado pela Norma. História da filosofia, crítica literária, análise cultural e política, e tudo isso firmemente arraigado em solo nacional. Um passo importante na minha reconciliação com o Brasil.

4. As raízes do romantismo, de Isaiah Berlin (São Paulo: Três Estrelas, 2015). Uma exposição muito erudita e profundamente perspicaz sobre um momento transformador na história do Ocidente, feita por uma personalidade intelectual pra lá de interessante.

5. True Spirituality [Verdadeira espiritualidade], de Francis A. Schaeffer (Wheaton: Tyndale House, 1971). O caráter simples e sublime da espiritualidade cristã captado com maestria por esse grande mestre em um de seus melhores momentos.

6. Por que creio em Deus, de Cornelius Van Til (Brasília: Monergismo, 2012); emprestado pelo Fernando Pasquini. Obra apologética encantadora por sua intensa pessoalidade e boa intransigência.

7. Do shabbath para o dia do Senhor, de D. A. Carson (org.) (São Paulo: Cultura Cristã, 2006). Obra um tanto polêmica, mas de elevado nível acadêmico e cheia de insights preciosos sobre um tema importante.

8. The Idea of Nature [A ideia de natureza], de R. G. Collingwood (Nova York: Oxford University Press, 1960). Esse pequeno grande livro é uma abordagem extremamente esclarecedora sobre um tema difícil: a história das filosofias da natureza. Eu poderia passar uma vida aprendendo com esse professor.

9. Mao: a história desconhecida, de Jung Chang e Jon Halliday (São Paulo: Companhia das Letras, 2012). Obra muito bem escrita e documentada sobre o maior genocida de todos os tempos. Expõe a face sempre horripilante do totalitarismo em um de seus piores momentos. Ensina e faz pensar muito.

10. Mentira romântica e verdade romanesca, de René Girard (São Paulo: É Realizações, 2009); presente da Norma. Situado em algum lugar entre a crítica literária e a antropologia filosófica, esse livro traz uma das descrições mais apavorantes que já li do mal que há no coração humano. Mas também um dos vislumbres mais pungentes que já li sobre a natureza de sua redenção.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Top ten 2015 - Norma Braga

Observação: não queria plagiar meu marido, mas de fato é importante frisar que a lista está em ordem cronológica e que posso não concordar cem por cento com os autores mencionados.

2015 foi o ano da morte de René Girard, em 4 de novembro. Homenageei-o involuntariamente ao escolher o desejo mimético como um dos temas a serem trabalhados em meu mestrado em teologia no Jumper. Agora, homenageio-o mais uma vez com dois livros seus na lista dos dez melhores do ano que passou. Geometrias do desejo é uma excelente continuação tardia de Mentira romântica, verdade romanesca. Anorexia e desejo mimético é um livro mais fácil de ler, se comparado aos demais de sua autoria, por ser a transcrição de uma palestra - recomendo-o como uma boa introdução ao pensamento girardiano, em que seus conceitos são aplicados a um assunto tão pungente e atual como os distúrbios alimentares. Memórias do subsolo, de Dostoievski, foi lido através de Girard, e creio que permanecerá como uma das leituras mais impactantes de minha vida.

Ouweneel foi grata leitura, mais arejada e multicolorida que as obras norte-americanas de aconselhamento bíblico que tenho pesquisado. Comparece aqui de novo uma das autoras de que mais gosto, Amélie Nothomb, mas seu melhor livro, para mim, continua sendo Higiene do assassino (o que não me impediu de emocionar-me, e muito, com Biografia da fome). Dueñas foi uma descoberta interessante que prometo acompanhar mais de perto. Lobato é amor antigo da infância que aos poucos retomo na fase adulta, para adultos. Beale é simplesmente imprescindível para qualquer pessoa que tenha alguma curiosidade em relação ao tema da idolatria; é básico e traz o caldo grosso da boa exegese bíblica. Willingham traz uma tipologia muitíssimo interessante e aplicável, além de expressar-se em uma linguagem que, deliciosamente próxima ao leitor, marca sua constante presença como um pecador dos mesmos pecados que descreve. (Se alguém decidir traduzi-lo, passe o copidesque para mim, pois gostaria de preservar no português a mesma familiaridade, o mesmo despojamento.)

E, fechando muito bem o ano, uma descoberta brasileira: Mario Vieira de Mello. Eu tinha há tempos seu livro em casa, mas estava perdido em algum lugar. André o achou, e ainda bem! Os professores Filipe Fontes e Davi Charles Gomes, do Jumper, trouxeram Vieira para uma disciplina sobre cultura brasileira, e foi minha oportunidade. Lamentei não tê-lo lido antes, ao mesmo tempo em que me alegrei por ser capaz de apreciá-lo, hoje, bem melhor que há alguns anos. Foi uma leitura que "arrumou" bastante minha mente quanto aos conteúdos estudados na Letras (sim, o livro traz longas considerações literárias) e me forneceu chaves (semelhantes às que ganhei com Girard) para a compreensão da realidade brasileira - da nossa realidade, minha e sua. Os estudos brasileiros continuam em 2016: estou lendo A poeira da glória, do amigo girardiano-vieiriano Martim Vasques da Cunha, que tem tudo para ser o primeiro exemplar da lista em 2016.

Boas leituras neste novo ano!

1. Heart and soul: a Christian view of psychology [Coração e alma: uma visão cristã da psicologia], de Willem Ouweneel.

2. Biographie de la faim [Biografia da fome], de Amélie Nothomb.

3. Memórias do subsolo, de Fiódor Dostoiévski.

4. Você se torna aquilo que adora: uma teologia bíblica da idolatria, de G. K. Beale.

5. Géométries du desir [Geometrias do desejo], de René Girard.

6. Anorexie et désir mimétique [Anorexia e desejo mimético], de René Girard.

7. O tempo entre costuras, de María Dueñas.

8. A barca de Gleyre, de Monteiro Lobato.

9. Relational masks: removing the barriers that keep us apart [Máscaras relacionais: removendo as barreiras que nos mantêm afastados], de Russell Willingham.

10. Desenvolvimento e cultura: o problema do estetismo no Brasil, de Mário Vieira de Mello.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Top ten 2015 - André Venâncio

O ano foi extremamente concorrido em termos de boas leituras, de modo que muitas excelentes obras não puderam ser incluídas aqui. Mas, após longa deliberação, cheguei à lista abaixo. Mas não devo publicá-la sem os esclarecimentos de sempre: que os livros estão na ordem em que os li, e não de importância ou qualquer outra coisa; que sua presença na lista não significa que eu aprove integralmente seu conteúdo; que as datas se referem à edição que li, e não necessariamente às datas de publicação original. Acrescentei também breves notas de gratidão às pessoas que me levaram a algumas dessas obras. E agora vamos ao que interessa.

1. The Complete Stories [Contos completos], de Flannery O'Connor (Nova York: Farrar, Strauss and Giroux, 1984).

2. The First Step in Mission Training: How Our Neighbors Are Fighting with God's General Revelation [O primeiro passo no treinamento missionário: como nosso próximo está lutando com a revelação geral de Deus], de Thomas K. Johnson (Bonn: Verlag für Kultur und Wissenschaft, 2014). Presente do amigo pr. Franklin Ferreira.

3. Main Currents of Marxism [Correntes principais do marxismo], de Leszek Kolakowski (Nova York: W. W. Norton, 2005). Em três volumes: The Founders [Os fundadores], The Golden Age [A época de ouro] e The Breakdown [O colapso]; na verdade, só o último volume foi lido em 2015.

4. Introdução à filosofia da natureza, de Hans-Dieter Mutschler (São Paulo: Loyola, 2008). Recomendação do amigo André Tavares.

5. Infiel: a história de uma mulher que desafiou o islã, de Ayaan Hirsi Ali (São Paulo: Companhia das Letras, 2007).

6. Idols for Destruction: the Conflict of Christian Faith and American Culture [Ídolos para destruição: o conflito entre a fé cristã e a cultura americana], de Herbert Schlossberg (Wheaton: Crossway, 1990). Recomendação da Norma.

7. Personal Knowledge: Towards a Post-Critical Philosophy [Conhecimento pessoal: em direção a uma filosofia pós-crítica], de Michael Polanyi (Londres e Nova York: Routledge, 1962). Recomendação do amigo pr. Davi Charles Gomes; presente da Norma.

8. Relational Masks: Removing the Barriers that Keep Us Apart [Máscaras relacionais: removendo as barreiras que nos mantêm afastados], de Russell Willingham (Downers Grove: InterVarsity Press, 2004). Recomendação da Norma.

9. O homem que confundiu sua mulher com um chapéu, de Oliver Sacks (Rio de Janeiro: Imago, 1988).

10. Mente cativa, de Czeslaw Milosz (São Paulo: Novo Século, 2010). Recomendação da Norma.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Top Ten 2014 - Norma Braga

Sem dúvida, este foi o ano PP: Powlison e Poythress, ambos leituras para a pós-graduação em teologia do Jumper (obrigada, Davi e Wadislau!). Powlison é uma descoberta que trago comigo desde 2012, utilíssimo para quem deseja pensar a antropologia e a psicologia através de lentes bíblicas. Poythress tem me ensinado a manejar a ferramenta do triperspectivalismo - se Deus quiser, continuo o aprendizado no novo ano que se inicia.

Costumo indicar o livro de Vaucham para quem deseja orientações básicas na questão das diferenças sexuais. Um livro bíblico e gostoso de ler, bastante pessoal, que ultrapassa o tema "criação de meninas". Welch nos ajuda a perceber toda idolatria como um vício. Allender e Longman me mostraram o quanto é importante prestar atenção nos afetos e emoções como indicativos de ídolos (e a tabela que trazem é para a vida toda). O livro de Affonso é um Desconstruir Duchamp “turbinado”, mais acadêmico e reflexivo. Scruton sobre arte é sempre imperdível. A escritora belga Amélie Nothomb se tornou uma das minhas autoras favoritas na literatura francesa contemporânea; este é o terceiro romance que leio dela, mas o melhor continua sendo o primeiro, Higiène de l’assassin (tem em português).

Boas leituras a todos em 2015!

1. Uma nova visão: o aconselhamento e a condição humana através das lentes da Escritura, David Powlison

2. Falando a verdade em amor: aconselhamento em comunidade, David Powlison

3. Symphonic theology: the validity of multiple perspectives in theology, Vern Poythress

4. O que ele deve ser... se quiser casar com minha filha, Voddie Baucham Jr.

5. Vícios: um banquete no túmulo - encontrando esperança no poder do Evangelho, Edward T. Welch

6. In the beginning was the Word: language - a God-centered approach, Vern Poythress

7. The cry of the soul: how our emotions reveal our deepest questions about God, Dan B. Allender e Tremper Longman III

8. O enigma vazio: impasses da arte e da crítica, Affonso Romano de Sant'Anna

9. Beauty: a very short introduction, Roger Scruton

10. Ni d'Ève ni d'Adam, Amélie Nothomb

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Top ten 2014 - André Venâncio

Enfim chegou o momento de compartilhar minhas melhores leituras do ano que se encerra, e de demonstrar a devida gratidão às pessoas queridas que, de um modo ou de outro, me levaram a algumas delas. Preparar a lista abaixo não foi fácil, pois este foi um ano de muitas leituras boas. Ainda que lamentando a exclusão de alguns bons candidatos, estou satisfeito com o resultado final.

Três breves avisos podem ser úteis. Primeiro: os livros estão listados abaixo na ordem em que os li. Segundo: não custa enfatizar que o fato de um livro ser um dos melhores do ano de modo algum me obriga a aprovar tudo o que ele diz ou transmite. E terceiro: amanhã minha querida esposa Norma publicará a lista dela, mas adianto com satisfação que, embora tenham sido elaboradas de modo independente, desta vez nossas listas tem três títulos em comum. Voltem ao blog amanhã para descobrir quais são.

1. Cristo e cultura: uma releitura, de D. A. Carson;

2. The good of affluence: seeking God in a culture of wealth [O bem da afluência: buscando Deus em uma cultura de prosperidade], de John R. Schneider (presente de Alex Catharino e Márcia Xavier de Brito à Norma, muito antes que eu existisse para ela);

3. The cry of the soul: how our emotions reveal our deepest questions about God [O clamor da alma: como nossas emoções revelam nossas questões mais profundas sobre Deus], de Dan B. Allender e Tremper Longman III (recomendação do pr. Wadislau Gomes);

4. A lógica da vida: uma história da hereditariedade, de François Jacob (presente do pr. Eliandro Cordeiro);

5. As ideias conservadoras explicadas a revolucionários e reacionários, de João Pereira Coutinho (presente da Norma);

6. Symphonic theology: the validity of multiple perspectives in theology [Teologia sinfônica: a validade de perspectivas múltiplas em teologia], de Vern Poythress (outra recomendação do pr. Wadislau Gomes, disponível no site do autor nos formatos html e ePub);

7. O enigma vazio: impasses da arte e da crítica, de Affonso Romano de Sant'Anna;

8. Há um significado neste texto? interpretação bíblica: os enfoques contemporâneos, de Kevin J. Vanhoozer (recomendação do pr. Franklin Ferreira);

9. Fundamentalism: when religion becomes dangerous [Fundamentalismo: quando a religião se torna perigosa], de Thomas Schirrmacher (presente do pr. Franklin Ferreira);

10. Jamais fomos modernos: ensaio de antropologia simétrica, de Bruno Latour (presente de Léo e Célia Braga, meus sogros).

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

A soberania banida - releitura

Seguem duas postagens (uma e duas) baseadas em uma releitura que realizei há alguns meses, do livro A soberania banida: redenção para a cultura pós-moderna, de R. K. McGregor Wright.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Em guarda

Acabo de publicar no outro blog uma resenha minha do livro Em guarda: defenda a fé cristã com razão e precisão, de William Lane Craig, que saiu na Fides Reformata em 2012.